O funeral

De Alice ao infinito

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Havia um silêncio naquela câmera. Era um lugar espaçoso, um teto não muito alto, arrendondado.

Alguns haviam dito algumas coisas, de maneira formal, mecânica quase gélida. Já alguns até usaram de emoção em suas palavras, de forma quase febril, uma alucinação controlada.

Ela estava lá, quieta e bela, mesmo machucada. Tão jovem, tão cheia de futuro, tão agora apagada. Ela teve pouco tempo, alguns diriam, ela fora superestimada, argumentariam alguns.

Não se poderia dizer que ela desistira. Isso não. Lutara e teve recursos para continuar viva, em busca de seus sonhos de liberdade, de vitórias, de alegrias. Mas a doença, o mofo, o velho ainda fora mais forte do que tudo isso. Ser jovem pode assustar.

Alguns choravam calados, porque se sentir impotente frente a fatos imutáveis dói silenciosamente. Haviam aqueles que até se aproximavam da caixa fúnebre e lhe acariciavam a face lamentando a perda tão cara, tão grandiosa.

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