O olhar

 

olhar

A beira da praia ela estava. O mar vinha lhe beijar os pés em seu movimento incansável e repetitivo.

O sol se punha, o vento lambia seu vestido leve e branco, bagunçava feroz seus cabelos soltos e cumpridos. Mas ela não estava se importando com nada daquilo..

Seu olhar estava no horizonte pelo simples fato de não poder olhar para trás. Olhar para trás seria se perder, e perder não era mais opção.

Olhar para trás era ver o que se queria, mas que não lhe pertencia mais. Eram os beijos impossíveis, os abraços indevidos, os erros inevitáveis, as escolhas impensadas. Os amigos que deram adeus, a família que seguiu além. Era ve-la de uma forma que machucaria mais que a dúvida do amanhã.

Ela não olhou para trás, mas o passado lhe tocou o ombro. Soprou em sua nuca, a fez arrepiar, a fez fechar os olhos com força para resistir a vontade de dobrar o pescoço e dar uma espiada. As mãos suaram.. o coração disparou.

O mar veio mais uma vez lhe beijar, ela então respirou fundo, como se aquela onda lhe acordasse do torpor que a acometera. Então ela correu, correu o tanto que suas pernas pudessem aguentar, que seu folego permitia, que sua coragem incentivava.

As brumas lhe refrescavam os pés cansados, machucados e doidos.. ela não podia mais parar, ela sabia, se parasse, o passado lhe tocaria de novo e se ele lhe tocasse, o que ela faria?

Só poderia ir em frente, e só…

 

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