Valsando

 

pes

Os sapatos brilhavam negros nos pés ansiosos.

Ela contava mentalmente os passos que deveria dar, a barra do vestido roçando delicadamente seus calcanhares.

Ele respirava fundo, não tinha muita certeza se daria certo, se seria certo.

A música começou a tocar e como por mágica os corpos passaram a se mover em sintonia, leves e esperançosos.

A cintura dela apertada na mão direita dele a fazia ter certeza. A cintura dela apertada na mão direita dele o fazia desejar.

Os giros os deixaram tontos, ela perdeu o fôlego, ele fechou os olhos com força, não podiam perder o equilíbrio, estava tudo tão perfeito!

Mas o perfeito não ia se apresentar naquela dança, ela tropeçou na perna meio fora de lugar dele. Ele a segurou. Já tinham perdido um tanto do ritmo.

Ele sorriu. Ela sorriu.. Os olhos não.

Mais uma volta da valsa e o sapato dele escorregou ao pisar no laço do vestido dela. Ela o amparou. Voltar ao passo agora parecia ser quase impossível.

E o impossível quis se apresentar naquela dança. Os sorrisos se foram, a música estava acabando, eles estavam cansados.

De quem era a culpa pela valsa mal bailada? Não importava mais.

Ela agradeceu de cabeça baixa e se foi. Ele apenas retribuiu o cumprimento e saiu também.

Outras valsas viriam…Outros palcos…

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