Eterna nas pausas

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Quando a vê passando pode-se enxergar até uma rainha de outrora. Ela sorri com delicadeza para não afastar os bons e para expulsar os maus.

Quando a ouve falando pode-se ouvir a simplicidade dos que sabem que nada sabem, mas buscam aprender. Serena.

Quando a observa a ouvir respeitosamente pode-se imaginar a paciência que faz morada em seu ser.

Mas ela anda aos farrapos quando está só e entregue aos vazios.

Mas ela está borbulhando com as dúvidas que queimam a alma.

Mas ela está sedenta por mais, em busca, quase um desespero.

O que há então é a vontade, a vontade dela em ser mais que é, em superar, em esquecer-se, em dar o que não tem para descobrir o que realmente possui. O que há é a resignação de estar em preparo e não pronta.

O que há é a pausa, o suspenso, que a levará ao infinito, ao eterno. E é isso que faz tudo, absolutamente tudo torna-se real, mesmo até o que apenas podia ser.

 

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