De repente?

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Sabe o que é?

De repente as borboletas deixaram de voar pelo universo perdido de nossas barrigas.

De repente as mãos deixaram de ser ansiosas em sentir o toque da pele do outro.

De repente o beijo não tocava mais sinos, não tocava mais o coração.

De repente a fogueira virou brasa e o vento foi levando as cinzas.

De repente o nós deixou de ser primeira pessoa do plural para ser primeira pessoa do singular.

De repente algo partiu e não houve mais como colar..

Simplesmente, De repente...

 

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Morte Súbita

Voltando com a seção resenha….

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Hoje vamos falar da primeira obra adulta de J.K Rowlling.

Essa autora maravilhosa que nos presenteou com um mundo da magia totalmente novo e empolgante provou a que veio escrevendo obras que passam bem longe de Hogwarts…

Uma dessas maravilhas é “Morte Súbita” primeiro livro que ela lançou após a série Potter, lançado em 2012. Aqui no Brasil a editora responsável pela tradução e distribuição foi a Nova Fronteira.

A história se passa numa pequena cidade inglesa, Pagford, que é repleta de personagens intrigantes que nos causam todo o tipo de emoção: raiva, nojo, pena, carinho, e claro, tristeza, porque a pessoa que matou tanta gente boa (Siriús, Fred, Lilian… e mil outros) não ia parar com sua sede de sangue em um livro adulto né? Morte Súbita tem uma morte horripilante… (sem spoiler direto)

Logo de cara o personagem principal (sim é principal porque mesmo morto ele permeia o livro todo) Barry Fairbrother, que tem grande influencia na pacata cidade, morre subitamente (por isso o título brasileiro?! O original é The Casual Vacancy ) deixando toda comunidade em polvorosa por quem vai ocupar seu lugar no conselho dos moradores.

Barry era polêmico por defender os menos favorecidos e lutar por projetos que os auxiliassem. Quando ele morre, essa parte da população se vê órfã de um defensor relevante e passa a temer o próprio futuro – como o risco de serem expulsos de suas casas ou deixarem de fazer parte do município, perdendo ajudas assistenciais do governo.

Mas não é apenas sobre preconceito que J.K fala em Morte Súbita. Ela vem nos mostrar conflitos familiares intensos, abusos de variadas formas, vícios, traições e as consequências de tudo isso.

Para quem está acostumado com os livros de Harry prepara-se, aqui Rowlling sente-se bem a vontade para falar dos conflitos humanos mais profundos e isso inclui sexo, drogas e egoísmo descontrolados.

São mais de 500 páginas, que confesso no começo não me empolgaram muito, mas antes de chegar na metade fiquei completamente envolvida e precisei terminar a leitura para saber onde tudo aquilo ia dar.

Válido lembrar que o livro foi adaptado em uma minissérie pela BBC e repercutiu bastante. Como estrela destaque temos o Michel Gambom (nosso amado e eterno Dumbledore) no papel do falso gente boa Howard Mollison, dono da delicatessen “Pagford” e grande defensor de mandar o pessoal menos favorecido pra bem longe.

Eu comecei assistir a série, mas não terminei. Não porque era ruim, mas por covardia. Eu não estava preparada psicologicamente para ver aquela morte horripilante “ao vivo e a cores” na tela da TV. Preferi deixá-la só no meu imaginário mesmo.

Você já leu Morte Súbita? Comente se concorda comigo ou quer acrescentar mais alguma coisa.

 

Obrigada e até a próxima!

 

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Valsando

 

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Os sapatos brilhavam negros nos pés ansiosos.

Ela contava mentalmente os passos que deveria dar, a barra do vestido roçando delicadamente seus calcanhares.

Ele respirava fundo, não tinha muita certeza se daria certo, se seria certo.

A música começou a tocar e como por mágica os corpos passaram a se mover em sintonia, leves e esperançosos.

A cintura dela apertada na mão direita dele a fazia ter certeza. A cintura dela apertada na mão direita dele o fazia desejar.

Os giros os deixaram tontos, ela perdeu o fôlego, ele fechou os olhos com força, não podiam perder o equilíbrio, estava tudo tão perfeito!

Mas o perfeito não ia se apresentar naquela dança, ela tropeçou na perna meio fora de lugar dele. Ele a segurou. Já tinham perdido um tanto do ritmo.

Ele sorriu. Ela sorriu.. Os olhos não.

Mais uma volta da valsa e o sapato dele escorregou ao pisar no laço do vestido dela. Ela o amparou. Voltar ao passo agora parecia ser quase impossível.

E o impossível quis se apresentar naquela dança. Os sorrisos se foram, a música estava acabando, eles estavam cansados.

De quem era a culpa pela valsa mal bailada? Não importava mais.

Ela agradeceu de cabeça baixa e se foi. Ele apenas retribuiu o cumprimento e saiu também.

Outras valsas viriam…Outros palcos…

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